Venda de terrenos agrícolas atinge €600 milhões
Fundos especializados reforçam presença em ativos agrícolas ligados à água, à produção alimentar e à sustentabilidade ambiental
“Península Ibérica registou 1,2 mil milhões de euros de investimento institucional no sector do agronegócio em 2025, um aumento de 50% face ao ano anterior. Desse montante, cerca de €600 milhões corresponderam a operações de compra e venda de terrenos agrícolas, num mercado que recuperou da travagem sentida em 2024 e voltou a crescer.”
Jornal Expresso
O dinheiro está a voltar à terra
O investimento institucional no agronegócio está a crescer na Península Ibérica. Os números avançados pelo Expresso — €1,2 mil milhões de investimento em 2025, dos quais cerca de €600 milhões em compra e venda de terrenos agrícolas — mostram que a terra voltou a ser vista como um ativo estratégico.
Mas o que está por detrás deste movimento? Não se trata apenas de comprar hectares. Existe uma procura crescente por ativos capazes de produzir alimento, preservar recursos e gerar valor ao longo do tempo.
O que torna uma terra agrícola realmente valiosa?
Nem toda a terra agrícola tem o mesmo valor.
A disponibilidade de água, a qualidade e capacidade de regeneração dos solos, o clima, a localização, as culturas possíveis, as infraestruturas e a capacidade produtiva são fatores cada vez mais determinantes.
A terra agrícola começa, assim, a ser entendida não apenas como espaço físico, mas como um sistema produtivo e ecológico.
Agricultura sustentável: uma questão ambiental e económica
É aqui que a ligação com a sustentabilidade se torna particularmente interessante.
Cuidar do solo, utilizar a água de forma responsável, preservar a biodiversidade, reduzir desperdícios e diversificar culturas não são apenas preocupações ambientais.
São também formas de proteger a capacidade produtiva da terra no futuro.
Uma agricultura que retira continuamente ao solo sem o regenerar pode gerar rendimento no presente, mas comprometer o ativo a médio e longo prazo.
A sustentabilidade passa, portanto, a ser também uma questão de gestão e de criação de valor.
Da exploração agrícola ao ecossistema produtivo
O futuro pode estar menos centrado na monocultura e mais em sistemas agrícolas diversificados e integrados.
Vinhas, árvores de fruto, plantas aromáticas, hortícolas, ervas medicinais, apicultura, biodiversidade, transformação dos produtos e experiências ligadas ao território podem coexistir e complementar-se.
É a passagem de uma lógica de “produção agrícola” para uma lógica de “ecossistema agrícola”.
Cada elemento pode contribuir para o outro e permitir que uma maior parte do valor gerado pela terra permaneça no próprio território.
A terra como património para o futuro
Talvez esta seja a questão mais importante.
Se investidores, fundos e instituições estão novamente a olhar para a terra agrícola como um ativo estratégico, também nós deveremos questionar que tipo de agricultura queremos construir para as próximas décadas.
Porque valorizar a terra não significa apenas atribuir-lhe um preço.
Significa reconhecer aquilo que ela pode oferecer: alimento, água, biodiversidade, paisagem, trabalho, conhecimento, identidade e futuro.
A agricultura sustentável não é apenas uma forma de produzir. É uma forma de preservar o valor da terra.
E é precisamente nesta visão que a agricultura deixa de ser apenas uma atividade económica e passa a ser também uma forma de cuidar do território e construir património para as gerações seguintes.